
Estudo baseado no texto Grego do Novo Testamento
A expressão “um povo exclusivamente seu” se encontra em Tito 2:14. Os crentes são de propriedade exclusiva de Deus. Essa tradução portuguesa é bastante fiel ao original, mas podemos ver ainda algo mais na palavra grega. Esta é uma palavra composta, formada por duas outras, uma das quais significa “em torno”, como um círculo, enquanto a outra significa “estar”. A combinação pode ser representada graficamente como um ponto dentro de um círculo.
Isso nos ajudará a entender o significado. Assim como como o círculo está em torno do ponto, assim deus está em cada um dos Seus santos. O círculo monopoliza o ponto, tem o ponto inteiramente seu. Semelhantemente Deus tem os Seus inteiramente para Si mesmo. São Sua própria e exclusiva possessão. Ele os reservou para Si mesmo. A expresão que se encontra em I Tessalonicenses 1:1 – “… à igreja dos tessalonicenses em Deus …” tem essa mesma idéia, pois o caso grego é o locativo, de esfera. Em outras palavras, essa igreja estava na esfera de Deus, circunscrita por Deus, rodeada por Ele.
Esse é um lugar de alto privilégio. Em I Pedro 2:7, o grego pode ser traduzido como: “… para vós os que credes, é a preciosidade …”. Isto é, a preciosidade de Jesus é lançada em nossa conta. Ele se torna nossa preciosidade aos olhos do Pai, assim também como Ele se torna nossa justiça perante a lei. O Filho habita no seio do Pai, intimamente ligado às afeições do Pai. Maravilhosa é a graça que nós, solvos pela graça, tenhamos sido levados àquela favorecida posição de intimidade para com as afeições do Pai. O Pai nos ama tanto quanto ama Seu Filho unigênito. Que esperança, que realidade sobre a qual podemos descansar nossos corações abatidos, quando em períodos de provação!
Aquele lugar é igualmente um lugar de proteção. Pomha-se um ponto fora do círculo, e trace-se uma flecha do ponto externo para o ponto no interior do círculo. Chamemos ao ponto externo de “tentação”. Assim como um flecha não pode chegar ao ponto interno do círculo sem atravessar o mesmo, semelhantemente nenhuma tentação nos pode atingir se não pasar primeiramente pela vontade do Pai. Enquanto andamos no centro da vontade de Deus, Ele não permitirá que o diabo nos confronte com alguma tentação demasiadamente grande para nós, mas antes, no proverá com a fé e com o poder espiritual necessários para que vençamos a tentação. A vitória sobre o pecado é im faro garantido quendo estamos no centro do círculo.
Risque-se uma flecha deste ponto para o ponto exterior. Chamemos este outro ponto externo de “teste” ou “período de provação”. Assim como a flecha não pode atingir o ponto interior, sem que passe pelo círculo, igualmente nenhum teste ou provação, nenhuma tristeza pode atingir ao filho de Deus que seja no centro de Sua vontade, sem que passe pela vontade de Deus; e mesmo quando essas coisas nos atingem, Deus providencia para que recebamos toda graça necessária para resistir àquela provação. Ele é o Deus de toda graça, que nos conforta em todas as nossa aflições.
E é exatamente isso que Paulo queria dizer quando escreveu em I Coríntios 10:13 – “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”. A palavra grega traduzida acima como “tentação” tem dois significados: primeiro, “período de teste ou provação”; segundo, “solicitação para praticar o mal”. Somos povo exclusivo de Deus, inteiramente Seu, intimamente ligado ao Seu afeto, debaixo da Sua proteção, receptáculo de todo conforto e graça necessários.
Em Sua sabedoria, em Seu amor, Deus planeja o teste, e limita a tentação. Em Seu amor, Deus contrabalança o teste e vence a tentação. Em Sua sabedoria Ele planeja e limita. O proósito do sofrimento dos crentes é que ele pode ser um meio através do qual o pecado é eliminado de nossas vidas e assim é produzida em nós uma imagem e semelhante à de Cristo. “Precisamos ser moídos entre as pedras do moínho do sofrimento, antes que possamos tornar-nos pão pra as multidões famintas”.
Em Seu amor, Ele envia e permite. O sofrimento dos crentes demonstra o amor de Deus pelos santos. Deus quer mais do crente para si mesmo. Em Sua graça, Ele contrabalança e vence. A graça de Deus é suficiente para ultrapassar qualquer dificuldade, consolar qualquer tristeza, vencer qualquer tentação.
Texto extraído do livro: Jóias do Novo Testamento Grego – Kenneth Samuel Wuest.